Autoavaliação de Meio de Percurso

Chegar à metade da disciplina de Tecnologias Digitais no Ensino é, para mim, um exercício de reconhecer que o movimento intelectual mais exigente não é apenas a leitura do texto difícil, mas a coragem de desconstruir certezas prévias e ampliar horizontes já consolidados.

Sempre pautei minha trajetória pela busca de múltiplas perspectivas, recusando-me a tomar uma única teoria ou artigo como verdade absoluta. O conceito de causalidade múltipla e a percepção de que certas causas são, simultaneamente, efeitos que se retroalimentam, já faziam parte do meu repertório analítico. No entanto, o grande salto desta primeira metade foi transpor essa lógica para o ecossistema das tecnologias de ensino.

Minha visão, fortemente influenciada pela Administração, focava no valor da inovação sob a ótica do "usuário" (o aluno) e de sua autonomia. Hoje, percebo que essa era uma análise linear. A educação exige um olhar ainda mais profundo: a inovação só é plena quando gera valor para todos os envolvidos, sendo orquestrada por uma mediação docente intencional. O "pêndulo" do meu pensamento se deslocou: sem excluir a responsabilidade do aluno, hoje vejo o professor mediador como o agente capaz de potencializar tecnologias, adaptando-as à complexidade de cada contexto.

O PBL tem sido o espaço onde minha "voz" de pesquisadora se fortalece. A dinâmica de interagir com profissionais de áreas diversas tem sido extremamente enriquecedora, pois me permite confrontar minha interpretação das leituras com visões distintas, ajudando-me a organizar ideias e defender minha linha de pensamento com mais robustez. Deixei de apenas consumir conteúdo para problematizar as conexões. O exercício do diagrama de Ishikawa foi um marco: ele validou minha necessidade de visualizar conexões sistêmicas para sustentar argumentos de nível de doutorado.

Reconheço que a consistência é um processo contínuo. Para a segunda metade, meu compromisso é refinar as bases teóricas que darão suporte definitivo à minha tese. Pretendo aprofundar a compreensão sobre como a mediação pedagógica pode mitigar riscos tecnológicos, transformando a IA em uma ferramenta de inclusão e personalização.

Comentários

  1. Seu texto mostra muito bem um deslocamento teórico consistente, especialmente quando você sai de uma visão mais linear de inovação para uma compreensão mais complexa e mediada da educação. Também gostei de como o PBL aparece não só como metodologia, mas como espaço de fortalecimento da sua voz de pesquisadora, porque representa a densidade e intenção do seu olhar.

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    1. Fico muito feliz com suas palavras! Para mim, essa troca entre colegas é a essência de uma avaliação 360º; seu feedback me ajuda a enxergar pontos do meu desenvolvimento que, sozinha, eu talvez não notasse. Saber que você percebe essa transição para uma visão mais complexa da educação me motiva muito para a reta final da disciplina.

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  2. Seu texto mostra bem o quanto você evoluiu ao longo da disciplina. Dá pra ver claramente essa mudança no seu olhar, principalmente quando você passa a valorizar mais o papel do professor, sem deixar de lado a autonomia do aluno. Acredito que na segunda metade, você deve aprofundar a teoria e continuar refletindo sobre a prática… issovai deixar sua tese ainda mais forte e segura.

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