Em Construção: Reflexões de uma Doutoranda em Formação – Minhas Linhas de Chegada (e Partida)
Escrever no meu e-portfólio ao longo destes meses não foi apenas cumprir tarefas; foi a materialização exata do propósito deste espaço: um exercício constante de ver a mim mesma em construção. É com essa mesma entrega que realizo este movimento de fechamento da disciplina.
1. Autoavaliação
Desde o primeiro contato com a disciplina Tecnologias Digitais no Ensino, entendi que o conhecimento não seria recebido de forma passiva, mas esculpido coletivamente com meus pares.
Longe de ser um processo de mero preenchimento ou acúmulo, vivenciar este semestre exigiu a coragem de esvaziar o copo constantemente. Lembrei-me muito da máxima de Alvin Toffler: o analfabeto não é aquele que não sabe ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender. Essa jornada de lifelong learning se fez real para mim ao mergulhar no universo desta disciplina. Foi preciso desconstruir certezas conceituais e metodológicas para, só então, reconstruir novas formas de pensar.
O que fiz bem: Dediquei-me genuinamente aos registros semanais. O blog tornou-se um refúgio de reflexão acadêmica e pessoal, onde pude exercitar a escrita viva e acompanhar de perto a minha própria evolução.
O que deixei a desejar: No turbilhão que é o doutorado, por vezes o tempo nos engole. Gostaria de ter tido mais tempo para interagir com os e-portfólios dos meus colegas, pois sei que a construção ali também foi riquíssima. Essa troca certamente potencializaria minha experiência e enriqueceria ainda mais meu repertório.
2. Avaliação da Disciplina
A estrutura de Tecnologias Digitais no Ensino é um acerto pedagógico em si. Em tempos em que a educação corre o risco de se instrumentalizar pelo técnico, a disciplina teve a coragem de pautar a tecnologia a partir de uma perspectiva profundamente humana e crítica.
A metodologia PBL funcionou como um espelho da própria realidade docente: fomos desafiados a investigar, errar, desaprender velhas fórmulas e colaborar. O uso do e-portfólio como instrumento de avaliação formativa foi, para mim, o ponto alto. Ele subverte a lógica da nota fria e privilegia o processo da metamorfose.
Como sugestão construtiva para os próximos ciclos, acredito que o ritmo inicial possa ser levemente compassado com o volume de leituras densas, dando um respiro maior entre a imersão teórica e a resolução dos problemas. Além disso, em alguns momentos da jornada, vi-me diante de um dilema complexo, tendo que escolher entre me dedicar à escrita do artigo científico ou às demandas do PBL. Sendo assim, como ponto de melhoria, eu sugeriria não incluir a produção de um artigo neste momento, permitindo que o foco total se concentre na experiência metodológica das resoluções de problemas.
3. Avaliação do Professor
A atuação do professor, ao longo de todo o percurso, foi a materialização viva daquilo que discutimos teoricamente.
Em nenhum momento a tecnologia substituiu o afeto, a escuta ou o rigor intelectual. O professor soube dosar com maestria os momentos de intervenção e os de recuo, permitindo que nós, doutorandos e mestrandos, assumíssemos o verdadeiro protagonismo e o direito de desconstruir para criar. Sua mediação nunca foi insuficiente e nem excessiva; foi presente. O respeito com que acolheu nossas inquietações e a paixão evidente pelo ensino digital humanizado serviram de inspiração.
4. Que tipo de pesquisadora e professora eu quero ser a partir daqui?
Carrego daqui a certeza de que a tecnologia no ensino só faz sentido se servir para ampliar o conhecimento coletivo e emancipar o sujeito, nunca para robotizar as relações. Quero ser uma docente/pesquisadora que acolhe a inovação e a Inteligência Artificial não como verdades absolutas, mas como ferramentas abertas de ampliação do potencial humano. Quero manter meu copo sempre pronto para ser esvaziado.
Esta é a última postagem da disciplina, mas o blog avisa: continua em construção. A riqueza de registrar minha própria trajetória me fisgou, e as reflexões da doutoranda em formação seguirão ecoando por aqui.
Ao professor e aos colegas de jornada, meu muito obrigada. Cruzamos a linha de chegada prontos para continuar desaprendendo e reaprendendo.
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